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Pesquisa sobre sites 6 min de leitura

O site existe. Alguém recebe o pedido?

Em 2025, a percentagem de empresas com site era mais baixa em Portugal do que na UE27. A diferença era maior entre as empresas com 10 a 249 pessoas ao serviço. Para um negócio, interessa perceber o que acontece quando alguém tenta entrar em contacto.

Clientes no exterior de um café moderno em Lisboa, uma imagem dos negócios que estão por detrás dos dados portugueses sobre sites.
Os números nacionais tornam-se úteis quando um negócio acompanha um pedido real, desde a primeira visita até à resposta. Photo: Riccardo Toso / Pexels

A pergunta que iniciou a pesquisa

Durante uma semana, concentrei-me na forma como a automação com IA, os sites e o design de interfaces entram no trabalho diário de um pequeno negócio. Queria perceber o percurso completo: como uma pessoa encontra a empresa, percebe o que ela faz, entra em contacto e recebe uma resposta útil. Foi essa pergunta que deu origem a este artigo.

Uma pessoa pode descobrir o negócio numa pesquisa, numa rede social, num diretório ou através de uma recomendação. Depois, procura um lugar onde consiga perceber a oferta, confirmar que a empresa é credível e saber como pedir informação. Um site pode reunir essas respostas. Quando estão espalhadas por vários canais, torna-se mais difícil perceber a empresa a partir de fora.

Um site útil faz parte do funcionamento do negócio. Ajuda a pessoa a escolher o passo seguinte e dá à empresa um lugar claro para receber o pedido. A automação pode encaminhar uma mensagem, confirmar que chegou e ajudar a acompanhar a resposta. Antes disso, a empresa precisa de decidir o que o site deve explicar, que informação deve pedir e quem fica responsável por responder.

Uma trabalhadora de café a consultar registos atrás de um balcão de pastelaria em Portugal.
Um site útil liga a página que o cliente vê ao trabalho que acontece dentro do negócio. Foto: Kampus Production / Pexels

Onde a diferença é maior

Para comparar esta questão com dados europeus, usei o inquérito do Eurostat de 2025 sobre o uso de tecnologias da informação e comunicação nas empresas. A comparação começa nas empresas com pelo menos 10 pessoas ao serviço. As microempresas ficam de fora. Aqui, ter site significa apenas que a empresa respondeu que tinha um. Estes dados não dizem se o site é bom nem se ajuda o negócio.

Uma média nacional junta empresas de dimensões muito diferentes. Uma empresa com 12 pessoas e outra com 1 200 entram no mesmo número. O Eurostat separa as empresas com 10 a 249 pessoas ao serviço das que têm 250 ou mais. Sem esta separação, não saberíamos se a diferença aparecia da mesma forma em empresas de todas as dimensões. Assim, conseguimos ver em que grupo a distância entre Portugal e a UE27 é maior.

No grupo das 10 a 249 pessoas ao serviço, 62,16% das empresas portuguesas indicaram ter site em 2025. Na UE27, o valor foi 78,52%. A diferença é de 16,36 pontos percentuais. Neste grupo, a percentagem era bastante mais baixa em Portugal do que no conjunto da União Europeia.

Nas empresas com 250 ou mais pessoas ao serviço, os valores ficam quase ao mesmo nível: 94,72% em Portugal e 95,65% na UE27. A diferença é de apenas 0,93 pontos percentuais.

A diferença está, sobretudo, no grupo das empresas com 10 a 249 pessoas ao serviço. Estes dados mostram onde ela aparece, mas não explicam porquê. Não chegam para tirar conclusões sobre orçamento, prioridades, qualidade do site ou resultados do negócio. Para cada empresa, a comparação deixa uma pergunta concreta: o site existe, está atualizado e ajuda uma pessoa a entrar em contacto?

Empresas com site, por dimensão

Percentagem das empresas inquiridas que indicaram ter site em 2025. Todas as barras começam em zero.

10 a 249 pessoas ao serviço

Portugal 62,16%
UE27 78,52%

Diferença: 16,36 pontos percentuais

250 ou mais pessoas ao serviço

Portugal 94,72%
UE27 95,65%

Diferença: 0,93 pontos percentuais

Ver os valores exatos
Empresas com site, por dimensão, Portugal e UE27, 2025
Dimensão PortugalUE27
10 a 249 pessoas ao serviço 62,16%78,52%
250 ou mais pessoas ao serviço 94,72%95,65%

Fonte: Eurostat, utilização das TIC nas empresas (isoc_ciweb), 2025.

Sobre os dados: Inclui empresas da economia não financeira. Os dois grupos de dimensão não se sobrepõem.

Figura 1. Empresas com site, por dimensão, Portugal e UE27, 2025.

Ter site não quer dizer que esteja a fazer o seu trabalho

Este indicador diz apenas se a empresa tem site. Não mostra se o site explica bem o negócio, se é fácil pedir informação, se alguém responde ou se o conteúdo está atualizado. Duas empresas podem ter site e dar respostas muito diferentes a quem as visita. Por isso, o número é apenas um ponto de partida.

O Eurostat mede também algo mais concreto: quantas empresas permitem encomendar ou marcar através do site. Esta ação não serve da mesma forma para todos os negócios. Uma loja pode precisar de encomendas. Um negócio de serviços pode precisar de marcações, pedidos de orçamento ou mensagens. A pergunta útil é o que a pessoa deve conseguir fazer e quem recebe esse pedido na empresa.

Entre as empresas com pelo menos 10 pessoas ao serviço, 62,91% indicaram ter site em Portugal, contra 79,02% na UE27. As encomendas ou marcações online foram indicadas por 16,46% das empresas em Portugal e por 22,52% na UE27. A Figura 2 compara duas medidas diferentes para o mesmo grupo. Uma não resulta da outra.

O que deve ser melhorado depende da situação. Uma empresa sem um site fiável precisa primeiro de uma página clara, onde apresente a oferta e receba contactos. Uma empresa que já tem site deve testar o que acontece quando alguém tenta entrar em contacto, marcar ou pedir um orçamento. O problema pode estar numa página confusa, num formulário sem responsável ou numa resposta que chega tarde.

Quando o contacto é simples, a pessoa consegue avançar e a empresa recebe um pedido claro. Sem esse passo, alguém interessado pode sair, enviar uma mensagem que ninguém acompanha ou ficar sem saber se o pedido chegou. Quando o processo funciona, a pessoa sabe o que esperar e a empresa consegue responder, acompanhar o pedido e aprender com ele.

Sites, encomendas e marcações online

Duas medidas diferentes para empresas com pelo menos 10 pessoas ao serviço em 2025. Uma não resulta da outra.

Tem site

Portugal 62,91%
UE27 79,02%

Diferença: 16,11 pontos percentuais

Permite encomendas ou marcações online

Portugal 16,46%
UE27 22,52%

Diferença: 6,06 pontos percentuais

Ver os valores exatos
Indicadores sobre sites nas empresas com pelo menos 10 pessoas ao serviço, Portugal e UE27, 2025
Indicador PortugalUE27
Tem site 62,91%79,02%
Permite encomendas ou marcações online 16,46%22,52%

Fonte: Eurostat, utilização das TIC nas empresas (isoc_ciweb), 2025.

Sobre os dados: Inclui empresas com pelo menos 10 pessoas ao serviço. As duas medidas são separadas; uma não resulta da outra.

Figura 2. Empresas com site e com encomendas ou marcações online, Portugal e UE27, 2025.

Começar por um contacto real

Para saber o que fazer a seguir, a empresa pode olhar para os próprios registos. Convém juntar as visitas recentes ao site, os pedidos recebidos, o tempo até à resposta e o que aconteceu depois. Esses registos mostram o que as pessoas tentaram fazer, se o pedido chegou a alguém e como foi tratado. Esta informação ajuda a escolher uma melhoria e, mais tarde, a perceber se ela foi útil.

Comece por um contacto recente. Anote a página onde a pessoa entrou, o que pediu, quem recebeu a mensagem e quando foi enviada a primeira resposta útil. Se algum destes pontos não tiver resposta, há um problema concreto no site ou no acompanhamento. A revisão pode concentrar-se nesse problema, sem se transformar logo num projeto para refazer o site inteiro.

Uma automação simples pode encaminhar o formulário para a pessoa responsável e registar a hora de chegada. A equipa consegue depois confirmar se houve resposta. Assim, a automação resolve um problema que a empresa já observou, enquanto a conversa com o cliente continua nas mãos de quem deve tratar do pedido.

Na próxima revisão do site, escolha um contacto recente. Siga-o desde a primeira visita até à primeira resposta útil e veja onde o processo deixa de ser claro.

Uma pessoa a consultar gráficos num portátil junto a encomendas embaladas.
A informação útil está no que acontece depois de alguém agir no site: quem recebe o pedido e quando responde. Foto: Kampus Production / Pexels

Fontes e limites

Os dados são de 2025 e referem-se ao uso de sites nas empresas. Abrangem empresas da economia não financeira e não incluem o setor financeiro (secção K). Também não medem a qualidade dos sites nem os resultados dos negócios.

Próximo passo

Veja onde o pedido de contacto deixa de ser claro.

Se quiser uma segunda opinião, a A&T Systems pode rever este percurso consigo e ajudar a decidir o que vale a pena corrigir primeiro. Rever o percurso de contacto Ver serviços para sites